O facto de a mulher deixar de menstruar por volta dos 50 anos foi já referido por Aristóteles em 322 A.C mas, apesar de estarmos em pleno seculo XXI em que a quantidade de informação existente se torna profusa e a rapidez com que se muda cria uma constante incerteza, a realidade é que perante o aumento da longevidade das mulheres, a menopausa torna-se um marco preponderante, quer para as mulheres, quer para os médicos aos quais recorrem.
Atendendo a que existem em Portugal 2.235.603 mulheres em pós-menopausa com mais de 50 anos de idade estando 731668 entre os 50 e os 59 anos (Portodata 2012) e que apenas 44.620 estão sob THM e 6.380 sob Fitoterapia (dados de venda 02/2014) rapidamente poderemos concluir que as mulheres portuguesas em menopausa estão sub-tratadas, mal informadas ou mesmo não tratadas.
Logo o maior desafio que enfrentamos é o de reduzir a mortalidade e morbilidade na população feminina em pós-menopausa e melhorar a sua qualidade de vida.
É uma realidade que uma elevada percentagem de mulheres são sintomáticas, cerca de 80%, se já não o eram na fase anterior, designada por peri menopausa e são sem dúvida dentro das manifestações clinicas os calores e os suores nocturnos que as levam a consultar o seu médico.
Manifestações clinicas
Curto prazo;
-Irregularidades menstruais.
-Sintomas vasomotores.
-Perturbações do sono, fadiga, irritabilidade e diminuição da qualidade de vida.
Médio prazo;
-Atrofia urogenital.
-Disfunções sexuais.
-Alterações do humor.
Longo prazo;
-Osteoporose.
-Doença cardiovascular.
-Doença de Alzheimer.
Esta consulta é uma oportunidade de importância capital para a avaliação clinica e para a informação a prestar á mulher no inicio desta nova fase da sua vida o que corresponde a um terço desta, dado o aumento da longevidade, pois será diagnosticado o estado de saúde global, avaliados os factores de risco, considerados os recursos aos meios de diagnostico e de rastreio e quais os sintomas a aliviar.
É sem dúvida a oportunidade de incentivar a uma alimentação correcta, promover o exercício físico e modificar o estilo de vida, tendo como objectivo de prevenir as doenças, prolongar a vida e melhorar a sua qualidade de vida.
Será também a oportunidade de o médico avaliar as necessidades e preferências da mulher no que se refere á prescrição de um tratamento, após uma informação correcta de todas as estratégias terapêuticas disponíveis sem contra indicação e ponderado o balanço beneficio-risco, pois só assim a mulher fará a melhor escolha e terá uma melhor adesão á terapêutica instituída.
Para a mulher sintomática em menopausa recente e que não apresente contra-indicação, a terapêutica hormonal da menopausa continua a ser o goldstandart, para as mulheres sem útero só com 17 estradiol se possível via transdérmica, para as mulheres com útero a sua associação á progesterona natural por via oral ou em DIU com progesterona, na dose eficaz mais baixa possível e por um período de 5 anos ou mais, critério a individualizar, de acordo com o statement da NAMS publicado na revista Menopause de Julho 2015 «aprova o uso criterioso da THM para mulheres de 65 anos e mais idosas. Temos ainda a possibilidade de recorrer á tibolona ou aos SERMs, que não tenham efeitos vasomotores, estes ainda não disponíveis no nosso país.
As mulheres que têm contra-indicação para a THM, ou não aceitam esta, ou a abandonaram por receio, pelos seus efeitos secundários ou limite de tempo, mas que mantem os sintomas pois cerca de 25% continuarão sintomáticas indefinitivamente, tornando-se necessário o recurso às alternativas disponíveis no mercado farmacêutico. Temos nesta área produtos farmacológicos tais como os ISRN, ISRSN, a gabapentina, a clonidina e o tramadol e ainda os da área da fitoterapia, hoje designados por suplementos alimentares. Em relação aos primeiros e dado que vamos utilizar um efeito secundário dos mesmos, teremos sempre que ter em mente o uso prolongado e os efeitos colaterais por estes causados.
Quando a opção é pela fitoterapia, há que ter dentro do vasto leque de opções o cuidado de seleccionar o produto que dentro dos estudos realizados evidencie a maior eficácia e a maior ausência de efeitos secundários.
Assim o melhor tratamento deverá ter objectivos e alvos específicos e será aquele que se revele como o mais indicado sem contra-indicação após balanço beneficio-risco.
Deverá ser monitorizado em intervalos regulares para determinar a sua eficácia e a ocorrência de efeitos colaterais, assim como para personalizar a dosagem ou mesmo a via de administração, considerando que «cada mulher é única».
As necessidades e preferências da mulher são decisivas mas sempre baseadas no conselho do seu médico.
Mário Sousa